Pente-fino no INSS revela golpes para receber benefícios

Pente-fino no INSS revela golpes para receber benefícios

Um homem que se acidentou e virou cadeirante por um tempo já conseguia correr os 42,2 quilômetros de uma maratona esbanjando disposição física. Um “cego” com carteira de motorista dirigia seu carro livremente pelas ruas. E a gravidez de risco de uma mulher durou cerca de dez anos.

Esses foram alguns dos casos mais absurdos detectados pelo pente-fino aos benefícios por incapacidade do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social), uma operação iniciada em agosto de 2016 pelo Ministério do Desenvolvimento Social. A varredura aos auxílios-doença e aposentadorias por invalidez tem sido feita junto aos beneficiários que ficaram pelo menos dois anos sem passar por perícia médica.

“Encontramos pessoas absolutamente saudáveis no momento da perícia, que tinham direito ao benefício no momento em que foi concedido, mas que se acostumaram e se acomodaram nessa situação”, afirmou Alberto Beltrame, ministro de Desenvolvimento Social, no momento em que apresentou o balanço da operação. Entre outros abusos, ele citou casos de aposentados por invalidez como o de uma técnica de enfermagem que faltou à perícia porque o atendimento coincidia com seu horário de trabalho e o do porteiro de um clube que foi reconhecido pelo perito.

Balanço

Ao todo, desde o início do pente-fino, 481.283 perícias foram realizadas. Ao todo, 310.515 benefícios foram cancelados – quase 65% do total de convocações. De acordo com Beltrame, até o momento, a operação já resultou em uma economia de R$ 7,6 bilhões. “Até o final deste ano, a previsão é que a economia aos cofres púbicos chegue a R$ 15,7 bilhões”, afirmou o ministro.

Associação de peritos critica Justiça

Benefícios concedidos por decisão da Justiça são os principais culpados pela existência dos casos “absurdos” detectados pelo pente-fino. Essa é a opinião do médico Francisco Eduardo Cardoso Alves, presidente da ANMP (Associação Nacional dos Médicos Peritos da Previdência Social).

“É vergonhoso saber que a maioria dos convocados para o pente-fino vinham recebendo aposentadoria por invalidez e auxílio-doença sem necessidade. E a grande maioria desses benefícios foi concedida por ordem judicial”, afirma ele, emendando críticas à Justiça. “Os juízes que aprovaram esses benefícios tinham que colocar a mão na consciência e pensar que se trata de dinheiro público, bilhões de reais indo para o lado indevidamente”.

Alves diz que o pente-fino foi proposto pela ANMP e que a economia é apenas consequência. “O objetivo da ação não é economizar, mas sim reconhecer o direito a quem ele é devido e acabar com tantas fraudes, dando o benefício apenas a quem realmente precisa dele”, explica. Sobre o alto índice de cancelamentos em função do pente-fino, ele diz, não foi surpresa. “Nós, peritos, já sabíamos que o índice de irregularidades seria grande, em torno de 80%”.

 

Fonte: Jornal Agora

 

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